Qual a melhor estratégia para se aposentar?

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Qual a melhor estratégia para se aposentar?

Muitos brasileiros, assim como muitas outras pessoas pelo mundo, almejam poder se aposentar e ter um rendimento que lhes permita viver com tranquilidade pelo resto da vida. Entretanto, nos últimos vinte anos, a cada dia que passa, notamos que este desejo fica cada vez mais longe para muitas pessoas. O grande desafio que a sociedade vem enfrentando tem que ver com o envelhecimento da população, fenômeno que se observa na maioria dos países, e com a longevidade das pessoas. Tomando por base a Previdência Social do Brasil, há décadas, quando as pessoas se aposentavam, as pessoas viviam menos tempo e se aposentavam mais tarde. Além disso a população era relativamente jovem, as famílias tinham muitos filhos, o que permitia ter uma base de sustentação maior já que havia muitas pessoas contribuindo para a Previdência Social e um número relativamente pequeno de beneficiários. Meus avós por exemplo, tiveram 10 filhos, meus pais 05 filhos e destes cinco filhos, somando eu e meus irmãos, só chegam a 04 o número de crianças nascidas e sem perspectivas de novos nascimentos, já que estamos na categoria de meia-idade, tudo por volta de 40 anos ou mais. Ou seja, o exemplo da minha família retrata o que tem acontecido na maior parte das famílias brasileiras, tem diminuido o número de nascimentos, a taxa de nascimento tem decaído nas últimas décadas. O resultado é que cada vez menos teremos menos trabalhadores para sustentar o INSS. Por outro lado, as pessoas vivem cada vez mais. Quando as pessoas se aposentavam e depois de alguns anos morriam, o custo de manter esse aposentado era relativamente pequeno em relação às contribuições feitas pela coletividade. Hoje, muitas pessoas vivem até 80,90 e até mesmo 100 anos, graças ao acesso a melhores tratamentos de saúde e melhores condições sanitárias. Também há mais alimentos disponíveis do que antes, remédios, vacinas. Deste modo, muitas pessoas se aposentam e dependem do pagamento de seus benefícios por 20, 30 anos e alguns até mesmo por mais tempo, como é o caso daqueles que se aposentam por invalidez. Façamos as contas: a pessoa durante a ativa contribui com uma porcentagem do seu salário e a empresa com outra porcentagem, geralmente estas contribuições ficam por volta de 20% do rendimento, mas há casos em que é bem menor. Supondo os trabalhadores que começam a trabalhar com 18 anos e contribuem por 35 anos ininterruptos, este trabalhador poderá se aposentar, se for homem, aos 53 anos de idade e poderá viver até os 90 anos em média. Ou seja, a pessoa contribui com apenas 20% da sua renda em média durante 35 anos e terá de viver a média das contribuições atualizadas por cerca de 35 anos. Se estivéssemos em um regime de capitalização poderia até fazer sentido essa pessoa se aposentar com essa idade e viver com a média das suas contribuições, no entanto, estamos em um regime de repartição, ou seja, os valores que você contribui hoje são para custear o pagamento de benefícios dos que já estão aposentados e quando você se aposentar, os trabalhadores da sua época é que pagarão pelo seu benefício por meio das suas contribuições. Atuarialmente falando a conta não tem como fechar por causa do decrescimento da população, ou seja, quanto menos pessoas contribuem com a Previdência Social, menos dinheiro há para pagar os que já estão aposentados e como a tendência é clara, ou seja, de estabilização no crescimento da população e envelhecimento da mesma, não há perspectivas de aumentar a base de contribuições para sustentar os aposentados de agora e do futuro. Uma solução seria se os benefícios fossem desvinculados do salário-mínimo e se a massa salarial dos contribuintes aumentasse, de modo que diminuísse ao longo do tempo os valores de benefícios pagos ou se mantivessem estáveis, enquanto a massa salarial da população ativa fosse aumentando. Aumentar a renda da população ativa tem sido muito difícil no atual cenário já que com o emprego da tecnologia tem ocorrido desemprego estrutural em muitos lugares e isso tem exercido pressão nos salários em geral. Então de um modo geral, podemos dizer que as perspectivas para quem depende do sistema de aposentadorias público não são nada animadoras. Podemos esperar cada vez mais que os governos em geral, já vemos este movimento no Brasil, tentem estabelecer ou aumentar a idade mínima para ter acesso aos benefícios, além de promoverem fórmulas que levem ao pagamento de pensões mais baixas. Com a pressão fiscal também podemos esperar que nem toda inflação seja repassada para os benefícios e que com o tempo diminua os valores dos benefícios.

Qual a solução então ? Qual a melhor estratégia para se aposentar ? Uma coisa é certa, a Previdência Social é e continuará sendo uma importante base de sustentação dos idosos e incapacitados, entretanto, não deveria ser a única. Pelas razões já apontadas, percebemos que cada vez mais as pessoas deverão esperar menos do Governo. Não sabemos ainda o que o futuro trará, se haverá novas formas de financiamento da Previdencia Social que sejam sustentáveis. O que sabemos é que atualmente o peso das aposentadorias e pensões tem crescido e muito o que limita a capacidade dos Governos já que há um comprometimento crescente da arrecadação com o pagamento dos aposentados e pensionistas. O que provavelmente vai acontecer com o Brasil e que já é muito comum em muitos outros países, é que aumente a responsabilidade individual de cada um em fazer uma poupança com o objetivo de custear a sua própria aposentadoria, seja através de planos de previdência privada, seja através de investimentos em ações, imóveis, títulos públicos, etc. Se você é jovem agora é a hora de começar. Se você já não é tão jovem, tem de correr para se preparar. Se você já está fora do mercado de trabalho porque já se aposentou, terá de se programar melhor para não passar dificuldades nos seus últimos dias já que as perspectivas para o futuro não são nada animadoras.

Basicamente, resumindo, do meu ponto de vista, acredito que para o futuro, os novos trabalhadores deverão se planejar tendo em vista o tripé (1) Previdência Social, (2) Previdência Privada (planos PGBL ou VGBL) e (3) investimentos em carteiras de longo prazo. A razão pela qual eu acredito neste tripé é que através dele você pode mitigar seus riscos de longo prazo e talvez ter uma rentabilidade maior dos seus recursos aplicados.

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