Bolívia – Uma Terra de Contrastes

No Comments

Eu nunca havia me imaginado na Bolívia antes. Diante de tantos planos para viajar, quando era jovem (cheguei a planejar viajar pela América do Sul fazendo a rota do Uruguai, Argentina e Chile) mas a Bolívia não me interessava. Acho que talvez havia um certo preconceito  se valeria a pena fazer uma visita a um dos países mais pobres da América. No entanto, um dia recebi um e-mail com uma promoção de passagem e resolvi dar uma olhada. Aquela única mensagem suscitou minha curiosidade afinal de contas, quem gostaria de viajar para Bolívia com tantos outros lugares mais legais para ir ? Num primeiro relance os indicadores sociais e econômicos não me animaram muito. Mas de repente comecei a me deparar com vários posts com fotos de lugares interessantes localizados neste pequeno país. E depois de ver algumas fotos não tive dúvidas, eu tinha de conhecer esse lugar místico que atraia tantos mochileiros de tantas partes do mundo. E foi assim que comprei as passagens com destino a paz onde iria acompanhado da minha companheira de viagens, minha esposa.

Pesquisando alguns posts vimos várias referências a rua Sagarnaga onde ha um hotel com o mesmo nome e várias agências de turismo local e foi parar lá que decidimos ir. Nas pesquisas que fizemos alguns e-mails falavam de como era fácil conseguir contratar pacotes direto nas agências, então não fechamos nenhum pacote no Brasil, deixamos para comprar lá mesmo os passeios que planejávamos fazer. Quando chegamos à Bolívia, pegamos um taxi rumo ao hotel e nos demos dois dias para aclimatar devido a alta altitude. Nesses dois dias fizemos apenas passeios leves pela cidade, pelo mercado local e passamos nas agências para contratar o serviços. Você não deveria menosprezar a questão da altitude se estiver indo para a Bolívia pela primeira vez. Ao chegar em na paz qualquer esforço como puxar uma mala no aeroporto ou subir escadas é demasiado cansativo por causa do ar rarefeito. Não é por menos, La Paz está a cerca de 4000 m de altitude acima do nível do mar. Mas não pense que isso irá estragar seu passeio, o corpo se adapta muito rápido e não tivermos maiores problemas. Mas alguns relatam o Soroche, o mal das altitudes. Há vários posts que orientam como evitar esse mal e eu sugiro que não o menospreze.

No outro dia, nada que um chá de coca acompanhado de uma media luna não resolvesse. Aliás o chá de coca é um chá normal por lá. Você pode beber que não irá ficar chapadão, mas de forma alguma tente trazer o chá  para o Brasil na volta afinal de contas aqui e ele é proibido. Já faz algum tempo que fomos  para a Bolívia mas o câmbio lá era muito vantajoso para nós brasileiros. E falando sobre o câmbio, na época eu particularmente achei mais vantajoso cambiar dólares por pesos ao invés de reais por peso, mas não era difícil encontrar quem fizesse o câmbio de reais também, na rua Sagarnaga havia muitos locais que faziam câmbio. Outra possibilidade de câmbio que eu achei muito vantajosa na época foi sacar dinheiro direto do Banco do Brasil na agência em La Paz, obviamente se você for cliente do banco.

Depois de estarmos adaptados à altitude, ter descansado da viagem e já ter andado por toda a rua Sagarnaga e arredores iniciamos nosso roteiro  e o primeiro destino escolhido foi conhecer o ChacalTaya. Nós tínhamos vontade de conhecer a neve por isso escolhemos para ir uma época em que o clima está mais úmido e para nossa alegria acertamos em cheio. Mas antes de chegar no Chacaltaya, o ônibus turístico em que estávamos parou pelo caminho no mercado de brujas onde se encontra todo tipo de objetos usados nos rituais religiosos comuns ao povo boliviano, é um verdadeiro mercado para bruxarias. Confesso que eu particularmente teria pulado essa etapa, mas quando se compra um pacote não há muita escolha a não ser seguir o trajeto junto. Depois de algum tempo seguimos para o Chacaltaya e é uma subida e tanto até chegar à parte mais alta. Claro que esta subida foi no conforto de um veículo, mas a medida que o ônibus ia subindo e subindo, o frio ia aumentando e mais bonita ia ficando a paisagem e para nossa surpresa fomos encontrando neve pelo caminho. Depois de um certo trecho o ônibus parou e tivemos de acabar a subida a pé até o local de refúgio. A distância em si não era grande mas a falta de oxigênio faz com que  100 metros pareçam uma caminhada de um km. Mas eu acho que eu daria muito mais para ver as paisagens e ter meu primeiro encontro com a neve no alto do Chacaltaya tão grande era a animação. Uma das paisagens mais lindas que já vi na minha vida e lá estávamos nós curtindo esse momento. Depois descobrimos que há muito tempo as pessoas esquiavam por lá mas que por causa do aquecimento global quase já não há neve, apenas o cume fica com neve e esta a cada ano fica cada vez mais fina. Infelizmente a humanidade está destruindo muitas riquezas por meio de sua ganância , pelo consumo exagerado de recursos naturais e principalmente pela emissão de gases do efeito estufa. Fica o aviso para que cada um faça sua parte para preservar o pouco que nos resta da natureza. Infelizmente o passeio no Chacaltaya não durou muito. Nosso guia nos avisou que para nossa segurança não poderíamos ficar muito tempo ali por causa do ar rarefeito (o Chacaltaya está a mais de 5300 m de altitude acima do nível do mar).

Quando voltamos para La Paz, antes de encerrar o roteiro passamos em um local chamado Vale de La Luna por causa das interessantes formações geológicas existentes ali, causadas principalmente pelo vento. É um lugar interessante para se ver e a claro tirar fotos.

No próximo dia resolvemos andar mais pela cidade de La Paz e conhecer um pouco mais da cultura local. Fomos até o Mirador Laikakota de onde se pode ter uma excelente vista do centro da cidade, inclusive avistar as vizinhanças de Miraflores e Sopocachi. E comemos neste dia a comida local, sopa de quinoa, pollo (frango) e por fim,  ao retornar para o hotel um lanche tipo fast food.

Já no próximo dia, o nosso quarto dia, seguimos rumo a Uyuni num ônibus turístico, muito confortável, mas numa viagem um tanto longa.

O ticket do transfer ou mesmo o pacote do que fazer no seu destino você pode comprar em qualquer agência de turismo em La Paz. Compramos o pacote de três dias no deserto as confesso que gostaria de ter ficado muito mais. No pacote estava incluído o traslado até Uyuni e o roteiro completo usando numa caminhonete 4×4 com alimentação e hospedagem. Só uma observação, quando digo hospedagem quero dizer um local para se abrigar do frio, esqueça qualquer conforto existente nas cidades. E no caso da alimentação, tudo o que iríamos comer era o que estava sendo transportado na caminhonete, não existem restaurantes ou qualquer mercado no deserto para onde iríamos passar os próximos três dias, dentro da reserva Eduardo Alvaroa.

O trajeto pode variar um pouco dentro do parque mas de um modo geral contempla os mesmos pontos de interesse.

O trajeto se estende de Uyuni até a fronteira com o Chile com vistas maravilhosas pelo deserto. As paradas eram planejadas em pontos estratégicos do parque. No primeiro dia o passeio começou pelo Salar de Uyuni, o maior salar do mundo. Nunca na vida tinha visto tanto sal e a vista, é algo impressionante pelos efeitos e contrastes que o branco tem com o resto da paisagem.

De lá fomos para o cemitério de trens um local onde havia muitos trens abandonados se desgastando lentamente pela ação do tempo.

E depois de muitas fotos pé na estrada rumo ao deserto, longe da civilização que vai ficando cada vez mais distante. Vagarosamente fomos nos ambientando com os demais turistas, dois franceses e dois ingleses que viajavam juntos. Além do motorista havia também um guia que prestava todo tipo de informações sobre os locais. Eles cuidaram bem de nós nos próximos três dias e o guia possuía inclusive nível universitário além de falar pelo menos três idiomas diferentes.

A primeira pernoite foi numa pequena vila no meio do nada cuja aparência lembrava uma cidade fantasma de faroeste mas à medida que escurecia,  mais e mais grupos de turistas iam chegando para se acomodar nas hospedagens. Obviamente não havia nenhum luxo ali. Água era só a que era levada nos utilitários assim como os alimentos, tudo o que iríamos consumir nos próximos dias era o que vinha junto com o nosso transporte porque  não havia nenhum tipo de conveniência ou mercado por dezenas de quilômetros à frente. A energia também era produzida por meio de gerador e até umas onze da noite me lembro que as luzes ficaram acesas e depois que o gerador parou não voltaram mais, apenas o frio, o vento e a escuridão do deserto lá fora. Conforto ? Não existe isso no deserto, banho, não existe, banheiro, só de fossa. Os locais por onde paramos eram os mais rústicos que dá para imaginar mais o incrível é quer mergulhados naquela simplicidade e beleza do deserto não sentíamos falta do conforto.

Ao acordar no outro dia, o segundo dia, seguimos rumo ao Geiser Sol de La Mañana.

Coisa incrível, ver todo aquele vapor saindo da terra, a lama borbulhando como se estivesse numa panela e o medo de pisar em algum lugar errado e cair dentro daquela panela borbulhante.É muito interessante contemplar a terra respirando e expelindo seus gases e ao mesmo tempo transformando tudo em sua volta lentamente. Ver as lagunas (lagoas) coloridas também nos encantava, juntamente com os flamingos que como que formando um balé se movimentavam por toda parte com suas plumagens coloridas.

A paisagem, o que eu poderia dizer ? Eu não saberia escolher as palavras para expressar o que sentia ao ver paisagens uma mais linda do que a outra. No último dia conhecemos a fronteira com o Chile, a Laguna Verde e ao seu fundo o vulcão Licancabur.

Eu descreveria a Laguna Verde como um dos mais belos presentes de Deus para nossos olhos. É realmente lindo e na volta seguimos por algumas horas de viagem até encontrar um local conhecido como Vale de Las Rocas,  onde pedras de diferentes formatos, de origem vulcânica, foram esculpidas pelo vento formando uma interessante paisagem geológica.  A Bolívia é assim é um daqueles lugares que é toda hora nos surpreende pela sua beleza natural, seu povo multicultural e sempre alegre.

Se você possui dúvidas ou gostaria de fazer alguma pergunta sobre esse roteiro acesse o vídeo no começo deste artigo e deixe sua pergunta na seção Comentários e terei o prazer de responder.

 

O Céu que nos protege – Porque viajar

No Comments

Aproveite o tempo que tem para ver o que Deus fez para a humanidade. Reflita no texto a seguir do filme O Céu que nos protege:

“A morte está sempre no caminho, porém o fato de nunca se saber quando ela chegará, parece amenizar o caráter finito da vida. É aquela precisão terrível que odiamos tanto. E como não sabemos, temos a tendência a encarar a vida como um poço inesgotável. Entretanto, tudo só acontece uma determinada quantidade de vezes e, na realidade, uma quantidade muito pequena. Quantas vezes mais lembrar-se-á de uma certa tarde em sua infância, alguma tarde que faz tão profundamente parte de seu ser que não conseguiria imaginar sua vida sem ela? Talvez quatro ou cinco vezes mais. Talvez nem isso. Quantas vezes mais assistirá ao nascimento da lua cheia? Talvez vinte. E, no entanto, tudo parece não ter limites.”

Bad Feilnbach

No Comments

A cidade de Bad Feilnbach no sul da Alemanha é um dos lugares maravilhosos da Europa, servindo como excelente local para descansar e fugir da correria e do stress. A paisagem é magnifica. Localizada ao sul de Munique, indo em direção à Áustria, é uma excelente opção de parada no seu roteiro.